O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou a fase de interrogatório dos nove acusados do processo criminal movido contra o ex-presidente Fernando Collor de Mello sem que fossem produzidas provas capazes de garantir sua condenação. Collor e seu ex-tesoureiro Paulo César Farias são acusados de corrupção passiva-- e por isso é pouco útil para a acusação a confissão que ambos fizeram ao admitir que burlaram a lei retendo sobras da campanha eleitoral de 1989. O desfecho do processo é imprevisível. No próximo dia 1o. o Supremo começará a ouvir as oito testemunhas da acusação. Sete meses depois da denúncia inicial da Procuradoria-Geral da República, a utilidade de algumas das testemunhas é duvidosa. O papel do motorista Francisco Eriberto Freire França, por exemplo, foi decisivo no ano passado, quando ele revelou que PC pagava as contas de Collor. Hoje já se sabe em detalhes como isso era feito e Eriberto tem pouco a acrescentar. Nem Collor contesta o fato de que dinheiro de PC foi usado para pagar suas contas-- diz apenas que não sabia disso. Para a acusação, o nó do processo é como provar que a origem do dinheiro era o esquema de corrupção montado por PC no governo Colloe e não as sobras da campanha eleitoral (O ESP).