O reajuste mensal aprovado na semana passada pela Câmara dos Deputados não vai significar o fim das perdas salariais dos trabalhadores brasileiros. Cálculos realizados pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômico) abrangendo o período de julho de 1992 a maio deste ano mostram que se os salários já estivessem sendo corrigidos a cada mês teriam sofrido uma defasagem de 20,2%, equivalente a seis dias de trabalho por mês. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelam que a partir das políticas salariais inauguradas em 1986, e descontada a inflação, houve uma queda real nos rendimentos de até 37%. O número dos que ganhavam mais de 20 salários-mínimos cresceu 58% desde 1990. O economista Cláudio Considera, do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicada), afirma que o país empobreceu desde 1980, quando a população cresceu 25% e o PIB (Produto Interno Bruto) só 19%. "Não há como recuperar salários sem que haja investimentos em produção", diz (JB).