As organizações ambientais brasileiras são numerosas, mas frágeis, têm poucos militantes, seu âmbito de ação é local e não geram receitas próprias, dependendo de doações para se sustentarem. Apesar disso, começam a se organizar numa verdadeira comunidade ambiental e a influir na formulação de políticas públicas de meio ambiente. O perfil das Organizações Não-Governamentais (ONGs) voltadas para o meio ambiente, divulgado ontem pela Agência Brasil, emergiu do projeto "O que o brasileiro pensa da ecologia", programa de pesquisa coordenado pelo Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A primeira etapa do projeto foi uma pesquisa nacional de opinião pública executada pelo IBOPE, cujos resultados foram divulgados na Rio-92, a conferência da ONU sobre meio ambiente realizada no Rio de Janeiro (RJ) no ano passado. O estudo-- feito com 137 das 800 ONGs ambientais existentes no país-- revela que a maioria (47%) tem menos de 100 associados e somente 3% tem acima de cinco mil. O pequeno número de militantes é responsável pela fragilidade econômica: 75% das ONGs não tem receitas próprias e 59% vivem de doações nacionais ou internacionais. Quase metade (46%) não tem sequer uma publicação própria, requisito indispensável para que façam circular suas idéias. O público alvo das ONGs é predominantemente a população urbana local (57%). Seguem-se as lideranças comunitárias, os grupos profissionais e a população rural, todos com 14%. Nenhuma das entidades pesquisadas está voltada para o público escolar. Quanto ao âmbito de ação, predomina a atuação local, em nível de município, estado ou, no máximo, região. Somente 23% tem ação nacional e 11% internacional. Seus líderes são, na maioria, de classe média, profissionais liberais e pequenos funcionários. De um total de 317 líderes listados, 149 eram profissionais liberais (GM) (JC).