Cerca de 70% da população que dormem e passam fome nas ruas do Rio de Janeiro (capital) são trabalhadores. Os demais são crianças e velhos e apenas 6% são pedintes, alcoólatras e doentes mentais. O levantamento foi feito por funcionários da Fundação Leão XIII que há 100 dias percorrem toda a noite as ruas da cidade, em dois ônibus-refeitório, levando 500 litros de sopa para alimentar aproximadamente 650 pessoas. Duas psicólogas e duas assistentes sociais vão nos ônibus, anotando os nomes e os problemas relatados por cada pessoa atendida pelo projeto "Circular Sopão". "Essas pessoas não vivem nas ruas porque são marginais, mas porque têm salários insuficientes para pagar um aluguel, condução e comida", ressalta o tenente-coronel Heleno Barbosa, presidente da Fundação. "São trabalhadores da construção civil, vendedores ambulantes, papeleiros, e imigrantes que não conseguem emprego ao chegar ao Rio". Além de receber sopa e pão, a população de rua também é encaminhada à sede da entidade, para providenciar documentação e passagens de ônibus para os que querem voltar a sua cidade natal (JB).