MINISTRO PROMETE RESISTIR A PRESSÕES CONTRA O PLANO

O ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, garantiu ontem, em discurso inflamado no lançamento da campanha Decola Brasil, no Palácio do Planalto, que vai resistir às pressões políticas contra o plano de estabilização econômica e os cortes nos gastos públicos. "O Brasil exige que não se faça concessões à podridão, e nós não vamos fazer concessão alguma", prometeu. Cardoso disse que o país precisa de "um choque de decência, verdade, dignidade, amor ao povo e ao Brasil". E apostou que "93 será o ano da grande virada brasileira". Para o ministro, 94 poderá ser "o ano do começo do reencontro entre a democracia e a prosperidade", com a retomada mais firme do crescimento econômico, do número de empregos e da distribuição de renda. Fernando Henrique Cardoso prometeu não ceder às pressões ao responder a um apelo do presidente da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros, que participou da solenidade organizada por uma caravana de 130 empresários, sindicalistas, artistas e intelectuais. Eles fretaram um avião e foram a Brasília levar seu apoio político ao plano econômico do governo. Medeiros pediu ao ministro e ao presidente Itamar Franco que diga "não" aos inimigos da sociedade. Na solenidade, também discursaram a atriz Ruth Escobar e o presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). A atriz disse que "a grande luta do governo e da sociedade é para devolver a dignidade ao Estado". O presidente da FIESP afirmou que "as pressões impatrióticas, ditadas por práticas ultrapassadas, de caráter puramente clientelista, não podem continuar, para que o Brasil se reencontre com a prosperidade" (O ESP).