BIRD QUER PROJETOS COM ONGs

O diretor do Departamento 1 para América Latina e Caribe do Banco Mundial (BIRD), Rainer Steckhan, afirmou ontem, no Rio de Janeiro (RJ), que "o limite para a interferência das instituições na gestão dos recursos liberados para projetos ambientais brasileiros é o condicionamento da aprovação do projeto e do empréstimo à participação de uma Organização Não-Governamental no processo". A afirmação foi feita durante encontro com preservacionistas e empresários promovido pela Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN). "Estou fazendo essa observação porque, nos países desenvolvidos, as ONGs participam em até um terço do processo, exemplo que pode ser seguido pelo Brasil. Já temos um caso concreto para citar no Brasil, onde 250 ONGs da região amazônica cooperam conosco na apresentação de críticas e sugestões a projetos. O banco dispõe de US$750 milhões para o financiamento de projetos de preservação ambiental. O que temos que fazer é descobrir como aplicar esse dinheiro adequadamente", assinalou. A reunião foi organizada pela FBCN com o objetivo de facilitar conversações entre o BIRD e representantes das ONGs brasileiras, preocupados com a inoperância do governo federal na utilização dos recursos disponíveis para a solução dos problemas ambientais nacionais. Rainer Steckhan afirmou entender as reclamações apresentadas pelos preservacionistas, mas ressaltou que "é muito difícil liberar recursos sem que eles passem pelas mãos do governo, pois o entendimento com representantes de Estados é uma prática tradicional da diretoria do Banco Mundial. O que podemos fazer e convidar as ONGs a participarem do processo referente aos projetos". Segundo ele, a colaboração das ONGs é indispensável não só pelo conhecimento técnico, como também para fiscalizar a aplicação dos recursos (JC) (O Globo).