O candidato latino-americano à direção da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), o chileno Rafael Moreno, disse ontem, em Roma (Itália), que está convencido de que a entidade deve criar as condições para conseguir um novo acordo internacional para fazer
74572 frente à pobreza crescente do mundo. Segundo Moreno, atual subdiretor da FAO, a população em muitos países duplicará em 25 anos, as pessoas viverão mais 10 ou 12 anos que antes, mas os recursos naturais não poderão ser multiplicados porque não há nova terra nem água nova que possam ser descobertas. "O campo está ficando despovoado, a pobreza tem aumentado em toda a parte e penetra em todos os países, com ou sem visto, com ou sem aduana", afirmou. Para organizar os recursos disponíveis e enfrentar esses problemas, "é necessário redefinir o acordo entre os países", insistiu Moreno, adiantando ainda que o relacionamento com os demais órgãos das Nações Unidas e com as Organizações Não- Governamentais (ONGs) deve ser redefinido. Para ele, "é preciso pagar preços justos, abrir novos mercados, tentar transformar a produção no local de produção e oferecer uma mínima estrutura sanitária e educacional para que o campo não seja abandonado pelos agricultores, que passam a ser ainda mais pobres nas cidades". Nesse sentido, Moreno se definiu "não muito otimista" quanto à conclusão positiva da Rodada Uruguai do GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio), mas ao mesmo tempo se disse convencido de que, estando na FAO, fará qualquer esforço para chegar a uma conclusão positiva (JC).