A ULTRAFÉRTIL foi vendida ontem em leilão pelo preço mínimo de US$199,33 milhões (Cr$10,3 trilhões), correspondente a 90% do capital da empresa. O consórcio Ferti-Ultra-- liderado pela FOSFÉRTIL, uma ex-estatal-- ficou com o controle acionário. O grupo comprador desembolsou cerca de US$40 milhões em cruzeiros e o restante em títulos de privatização. Com a compra da ULTRAFÉRTIL, as 22 empresas que integram o consórcio Ferti- Ultra, entre elas a Manah, IAP, Solorrico, Fertisa, Fertibrás e Cooperativa de Cotia, passam a ter 35% do mercado nacional de fertilizantes e 45% do consumido na região centro-sul. Os novos donos pretendem investir US$25 milhões nos próximos dois anos na unidade da ULTRAFÉRTIL em Cubatão (SP). O leilão, realizado na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ), ficou suspenso por duas horas e meia por causa de uma liminar concedida pela 2a. Vara da Justiça Federal. No final da tarde, já com a cassação da medida cautelar, foram vendidos os 7,8 bilhões de lotes de ações ao preço de Cr$1.306,37 cada um. A ULTRAFÉRTIL era controlada pela PETROFÉRTIL (subsidiária da PETROBRÁS). A União repassou à empresa, desde sua fundação, cerca de US$449 milhões e recebeu de volta somente US$17 milhões em forma de dividendos. O seu leilão foi adiado por duas vezes. Em Araucária (PR), os funcionários da ULTRAFÉRTIL ocuparam a empresa em protesto contra a privatização. Cerca de 150 funcionários decidiram permanecer na fábrica-- cuja produção está paradada desde anteontem-- por tempo indeterminado. O presidente do Sindicato dos Químicos do Paraná (filiado à CUT), Édson Stein, afirmou que a empresa "não vai voltar a operar enquanto a privatização não for cancelada" (FSP) (JB).