Para evitar a aprovação, pelo Senado Federal, do projeto de reajuste mensal dos salários aprovado pela Câmara dos Deputados, o governo já estuda a apresentação de uma proposta alternativa, que pode incluir a bimestralidade ou a adoção de políticas salariais diferentes para servidores e inativos. O presidente Itamar Franco admite negociar com o Congresso Nacional, e amanhã se reunirá com o ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, e com os líderes do governo na Câmara, Roberto Freire (PPS-PE), e no Senado, Pedro Simon (PMDB-RS). Freire e o PSDB (partido do ministro da Fazenda) defendem a manutenção do reajuste bimestral, mas com uma porcentagem maior do que os 60% da inflação concedidos atualmente. O ministro do Trabalho, Walter Barelli, disse que qualquer coisa pode ser objeto de negociações. Barelli defende a exclusão dos gastos da Previdência Social do projeto de reajuste mensal de salários e propõe aumento das antecipações bimestrais como alternativa ao reajuste mensal. Quer também que seja excluído do projeto o aumento real do salário-mínimo. O projeto aprovado pela Câmara não atinge os servidores públicos que recebem mais de um salário-mínimo, segundo seu autor, o deputado Paulo Paim (PT-RS). Para os economistas, o impacto do reajuste mensal sobre a inflação será inevitável e terá um peso grande nos custos das empresas. Pela política salarial em vigor, o salário-mínimo deverá subir para Cr$4.624.620,00 a partir de 1o. de julho. Segundo cálculos do DIEESE, a diferença entre a política salarial em vigor e a aprovada pela Câmara nos salários médios reais (até seis salários-mínimos) do primeiro quadrimestre deste ano chegaria a 17,51% (JB) (O ESP) (FSP).