Mais de 50 mil migrantes procedentes de Minas Gerais, Paraná e de outras cidades do Estado de São Paulo, desembarcaram este ano na região de Ribeirão Preto atrás de emprego, casa e comida. A maior parte é formada por pequenos agricultores que abandonaram suas terras no Vale do Jequitinhonha (MG) para escapar da fome e da falta de dinheiro em troca de um trabalho temporário nas safras de cana e laranja. Um grupo menor, mas que vem crescendo nos últimos anos, é o de retirantes, antigos migrantes que perderam a identidade cultural e as velhas referências de moradia e passaram a perambular entre as cidades, sempre com dificuldades para se fixar em algum lugar. Esses números foram divulgados ontem, durante o 1o. Encontro Regional de Migração, que reuniu, na Câmara de Ribeirão Preto, assistentes sociais, técnicos e prefeitos de 80 municípios da região nordeste de São Paulo. As cidades mais procuradas pelos mineiros que chegam em busca de emprego na lavoura são as de pequeno e médio porte ao redor de Ribeirão, como Barrinha, Guariba, Sertãozinho, Pontal e Serrana. Segundo levantamento da Pastoral da Migração, que funciona em Guariba e trabalha com os chamados migrantes sazonais, só do Vale do Jequitinhonha mais de 40 mil pessoas abandonam, todos os anos, suas cidades. "Alguns trabalham como ambulantes na praia durante o verão e, depois, na lavoura, enquanto outros intercalam a lavoura com a construção civil", afirmou a freira Inês Facioli (O ESP).