Antes de tentar educar as crianças é necessário alimentá-las, para que possam aprender a aproveitar o ensino. Portanto, se o Brasil não resolver o problema de subnutrição da população, especialmente das crianças com até um ano de idade, estará destinado a permanecer na situação de país subdesenvolvido. Esta é a opinião do diretor-executivo da Associação Nacional dos Fabricantes de Rações (ANFAR), Cláudio Braga Ferreira, que enumerou experiências feitas em várias partes do mundo, nas quais o retorno do investimento em alimentação mostrou-se mais vantajoso do que em educação. No Chile, estudos mostraram que a alimentação adequada permite aumentar
74539 em 24% a produtividade do trabalhor, afirma Ferreira. Os melhores resultados de retorno do investimento em educação foram 15% no Irã e 19% no Japão. Por outro lado, o retorno do investimento em programas experimentais de alimentação alcançou 33% no México, 36% na Coréia do Sul e 40% na China. No Brasil o problema da fome é grave, e pode ser medido por um recente estudo divulgado pela ANFAR. "Diferencial entre o Alimento Consumido e o Mínimo Necessário", para o ano de 1992, que analisa a produção e o consumo nacional de sete produtos agropecuários: leite, ovo, carne de frango e suíno, arroz, feijão e mandioca. No caso do leite, por exemplo, para uma produção nacional no ano passado estimada em 14,8 bilhões de litros, o consumo per capita alcançou 96,8 litros. Porém, conforme estudos da FAO, o consumo per capita ideal para satisfazer as necessidades protéicas de uma pessoa é estimado em 260 litros. Isso significa que o brasileiro está bebendo 163 litros menos que o necessário. Para atingir o índice ideal, o país deveria produzir 10,1 bilhões de litros de leite a mais, ou cerca de 24,9 bilhões de litros anuais. "Caso essa produção viesse a ser atingida, o setor rural seria beneficiado com pelo menos 907 mil novos empregos", analisa Ferreira. E o efeito sobre outras atividades é imediato: seriam necessários 4,6 mil novos tratores; 1,4 milhão de toneladas de ração; áreas adicionais para o plantio de milho (151,8 mil hectares) e soja (136,1 mil hectares); além de três mil toneladas de semtentes de milho e 13 mil toneladas de sementes de soja. Segundo Ferreira, se o brasileiro consumisse o mínimo necessário dos sete produtos avaliados, o mercado de trabalho gerado representaria cerca de 60% da mão-de-obra que entra anualmente no mercado, ou cerca de 1,5 milhão de novos empregos (O ESP).