Os 4,5 mil índios macuxis, wapichanas e taurepangs da Reserva São Marcos, ao norte de Roraima, deram ontem um ultimato aos governos estadual e federal nas negociações para instalação de uma área de livre comércio na Vila Pacaraima, dentro de suas terras. Eles prometeram bloquear as vias de acesso à região, caso não obtenham resposta para uma proposta de solução do conflito apresentada há dois meses. Pela proposta encaminhada à Procuradoria Geral da República, ao Ministério da Integração Regional e ao governo de Roraima, os índios cederiam dois mil hectares de suas terras em torno da Vila Pacaraima, onde vivem 600 famílias de colonos, em troca de 5% do faturamento da área de livre comércio. O governo ainda se responsabilizaria pela retirada de 47 famílias que ficariam fora da área desmembrada da Reserva São Marcos. Sem resposta e assistindo ao processo de instalação da zona franca em suas terras, os índios alertaram que a partir de ontem se declaravam em "pé de guerra", conforme definiu o presidente da Associação dos Povos Indígenas de Roraima, Alfredo Silva Wapichana. Eles pretendem interditar o acesso à Vila Pacaraima através da BR-174 e das estradas de Normandia e Surumi, para paralisar a construção de lojas, galpões e hospitais da área de livre comércio e impedir novos assentamentos de colonos (JB).