O Departamento de Comércio dos EUA confirmou ontem a aplicação de sobretaxas à importação de aços planos e chapas grossas, produzidos em 19 países. O Brasil, como estava previsto, foi colocado na lista por alegadas práticas de "dumping" (venda a preços abaixo do mercado) e de subsídios governamentais. As punições se acumulam e atingem toda a indústria siderúrgica brasileira e não só as três empresas que estavam sob investigação: COSIPA, USIMINAS e CSN. Estas três receberão uma sobretaxa específica e às demais será aplicada uma taxa ampla, que varia para cada tipo de aço que pretendam exportar para os EUA. Por receber subsídios, o produto exportado pela COSIPA deverá pagar direitos compensatórios de 44,36% (laminados e chapas grossas). A USIMINAS pagará 5,52% (laminados a quente), 5,52% (laminados a frio) e 5,88% (chapas grossas). A CSN será punida com 30,36% (laminados e chapas galvanizadas). Por venderem nos EUA abaixo dos preços praticados no Brasil haverá aplicação de uma segunda sobretaxa: COSIPA-- 87% (laminados a quente), 88% (laminados a frio) e 109% (chapas grossas). CSN-- 87% (quentes), 88% (frios) e 43% (chapas galvanizadas). O Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) vai consultar o Itamaraty para contestar, formalmente, os EUA junto ao Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT) pelas sobretaxas impostas. O IBS estima em US$115 milhões o prejuízo das siderúrgicas brasileiras este ano por conta da sobretaxação norte-americana. A USIMINAS considerou as medidas políticas e está redirecionando, desde o início das investigações, sua produção para o mercado interno e o Extremo Oriente (GM) (O Globo).