PROBLEMAS COM O CLUBE DE PARIS

A demora do governo brasileiro em firmar um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) pode prejudicar o acordo já feito, em fevereiro de 1992, com o Clube de Paris. A cláusula no. 4 do acordo de refinanciamento de US$13,8 bilhões de dívidas de governo a governo, entre Brasil e Clube de Paris, exige que, para serem efetivamente cumpridos os termos desse acordo, o governo brasileiro teria de fazer um acordo "stand by" operativo com o Fundo. Deveria, também, ter feito, até dezembro de 1992, as consultas com o FMI para estabelecer as metas, os critérios de performance do acordo, para este ano. Como o acordo "stand by" com o Fundo está suspenso desde meados de 1992 e não houve, até agora, negociações para fixar as metas de 1993, o governo brasileiro solicitou, em janeiro último, um "waiver" (dispensa de cumprimento) para a cláusula no. 4. O Clube de Paris, no entanto, não concedeu esse "waiver" até agora. Essa situação foi abordada pelo ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, em reunião que teve ontem com os embaixadores dos países do Grupo dos Sete (os sete países mais ricos: EUA, Canadá, Japão, França, Inglaterra, Itália e Alemanha). O ministro convidou os embaixadores para conversar sobre o programa de ação imediata-- o programa econômico do governo Itamar Franco--, comunicar que em meados de julho chega ao país a missão técnica do FMI para negociar as bases da continuação do acordo stand by, hoje suspenso, e pedir apoio desses embaixadores para que seus governos ajudem o Brasil nas negociações com o FMI, com os bancos credores privados e com o Clube de Paris (GM).