CRIANÇA É PRIORIDADE NO COMBATE A FOME

No Estado do Rio de Janeiro, mais de 800 crianças dormem nas ruas e 430 menores foram assassinadas só no ano passado. Chamando a atenção para este cenário dramático, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, coordenador do Plano Nacional de Combate à Fome e à Miséria e secretário-executivo do IBASE, foi uma das personalidades mais aplaudidas ontem, no 1o. Encontro dos Conselhos Municipais de Defesa da Criança e do Adolescente do Estado do Rio de Janeiro, no audit`rio da UERJ. Representantes de 81 prefeituras estiveram presentes, com o objetivo de agilizar a implantação de novos conselhos municipais-- hoje, apenas 44 cidades do Estado do Rio têm seu órgão de defesa da criança e do adolescente. "A criança é prioridade na luta contra a miséria", afirmou Betinho, "e por isso vamos fazer de tudo para unir ao movimento de combate à fome a luta dos conselhos de defesa dos direitos da infância e adolescência". Betinho elogiou o encontro, lembrando sua importância para que "prefeitos dos municípios que ainda não criaram seus conselhos saiam da inércia". Betinho disse que a grande importância do Estatuto da Criança e do Adolescente é que os conselhos municipais não só opinam, mas definem políticas e participam dos projetos, adequando as soluções à realidade de cada município. Um dos principais objetivos do encontro é o intercâmbio entre os diversos conselhos municipais e o Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente (CEDCA), além de definir prioridades da política básica de atendimento à criança no Rio. Em Viena (Áustria), o UNICEF divulgou relatório durante a Conferência Mundial de Direitos Humanos informando que cerca de 35 mil crianças morrem a cada dia no mundo de fome ou enfermidades provocadas pela desnutrição. O relatório acrescentou que outros 100 milhões de menores vivem na semi- escravidão ou realizam tarefas prejudiciais ao seu desenvolvimento normal físico e intelectual. Segundo o representante do UNICEF na Conferência, Stephen Lewis, "apesar de 139 países terem ratificado a Convenção de Genebra de 1989 sobre os direitos das crianças, os menores têm sido transformados em alvos da psicose da guerra dos adultos". O UNICEF apelou à comunidade internacional reunida em Viena para que acabe com a vida miserável dos menores, em especial os que sofrem diariamente um tratamento desumano intolerável. O documento do UNICEF informa ainda que a cada hora morrem na América Latina e no Caribe 114 crianças menores de cinco anos de doenças intestinais, respiratórias e perinatais, todas curáveis. Seis milhões de crianças da região sofrem de desnutrição moderada e um milhão de desnutrição grave. Há 78 milhões de meninos e meninas pobres, o que equivale a metade do total de todos os pobres dos países dessa área. Só no Brasil, são 28 milhões de crianças pobres; no México são 14 milhões. Duzentos representantes menores de idade de 38 países entraram na sala do plenário da Conferência e pediram aos delegados que pusessem "fim à violência em que vivem as crianças do mundo". A organização suíça SOS Tortura apresentou um documento denunciando a matança dos meninos de rua no Brasil e na Guatemala. O mesmo documento diz que crianças são vendidas como escravas na Índia e no Irã e denuncia a exploração da prostituição infantil na Tailândia, Filipinas e Brasil, o principal acusado na América Latina. Em Fortaleza (CE), crianças em terceiro grau de desnutrição, com déficit de peso igual ou superior a 40%, têm lotado as 50 vagas de internação do Instituto de Previdência à Excepcionalidade e Desnutrição (Iprede). Com a recessão e a seca, o Iprede aumentou em 100% o atendimento no ambulatório, e passou a receber em média 100 crianças por dia (JB) (O ESP) (O Globo) (JC).