PC ACUSA POLÍTICOS E EMPRESÁRIOS

O empresário alagoano Paulo César Farias, o PC, declarou ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) que Fernando Collor de Mello o autorizou a pedir dinheiro a empresários em 1990, quando já era presidente da República. PC disse que arrecadou cerca de US$58 milhões e usou a verba nas eleições de 1990. Segundo ele, receberam doações na campanha pelo menos seis deputados-- Antônio Hollanda (PSC), Vitório Malta (PPR), Roberto Torres (PTB), Cleto Falcão (sem partido) e Augusto Farias (PSC), todos de Alagoas, e Euclides Mello (PRN), de São Paulo-- e dois governadores-- Joaquim Francisco (Pernambuco) e Geraldo Bulhões (Alagoas). Dos nomes citados por PC, três não se elegeram: o empresário José Carlos Martinez, que disputou o governo do Paraná e depois montou a Rede OM de Televisão com dinheiro de PC, o ex-deputado Sebastião Curió e o ex- deputado José Camargo. O empresário também assumiu pela primeira vez a responsabilidade por um "fantasma" bancário. Disse que abriu uma conta em nome de Alberto Alves Miranda em dezembro de 1989, no BMC de São Paulo, para depositar US$28 milhões que teriam sobrado dos US$100 milhões que arrecadou junto a empresários para a campanha presidencial de Collor. Dos US$28 milhões, US$8 milhões teriam sido destinados a Collor e o restante gasto nas eleições de 1990. Segundo PC, havia sempre "uma certa facilidade de negócios" com as empresas interessadas em colaborar com Collor. Entre as empresas, PC citou a Odebrecht, a Andrade Gutierrez, a Mercedes Benz e a Votorantim (O ESP) (FSP) (JB) (O Globo).