CONFERÊNCIA DE VIENA É UMA FRAUDE

Uma semana de vergonha. Assim definiu ontem o secretário-geral da Anistia Internacional, Pierre Sané, a primeira metade da Conferência Mundial de Direitos Humanos, que se realiza em Viena (Áustria). "Enquanto os delegados falavam, pessoas eram assassinadas, torturadas, executadas ou ameaçadas ao redor do mundo. Esta foi uma semana de prisões políticas, uma semana de sequestros, uma semana de desaparecimentos, uma semana de torturas", afirmou. Em seu balanço, Sané notou ainda que metade dos governos do planeta fizeram declarações no foro internacional e pronunciaram em seus discursos quase "meio milhão de palavras". "Mesmo assim, não há qualquer indício que permita deduzir que partiu da Conferência uma só ordem para acabar com as torturas ou os assassinatos", concluiu. Por seu lado, o secretário-geral da Conferência, Ibrahima Fall, mostrou-se otimista sobre a conclusão, "em tempo", do documento final da reunião, que tem a participação de 160 Estados-membros da ONU. Entre os parágrafos já aprovados estão aqueles que reconhecem ser a extrema pobreza e a exclusão social uma violação à dignidade humana e o direito ao desenvolvimento um direito universal e parte integral dos direitos humanos fundamentais (FSP).