CONSELHO DEFENDE PLANO CONTRA FOME

Preocupado com a política de cortes do Ministério da Fazenda, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea) decidiu ontem recomendar ao presidente Itamar Franco a preservação de todos os programas e projetos ministeriais que integram o plano de combate à fome e à miséria. O Conselho aprovou moção de apoio ao programa de combate à sonegação de impostos do plano do ministro Fernando Henrique Cardoso. O sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, coordenador do Programa de Combate a Fome e secretário-executivo do IBASE, disse que "é imoral sonegar impostos num país onde se morre de fome". O Consea priorizou projetos e programas de sete ministérios que somam Cr$600 trilhões (US$12 bilhões) no orçamento deste ano. Entre esses programas e projetos, estão os do seguro-desemprego, da promoção de emprego e da alimentação do trabalhador (recursos de Cr$400 trilhões). Outros Cr$156 trilhões estão alocados em programas do Ministério da Agricultura, como a comercialização e a estocagem da safra de grãos deste ano. Betinho fez um apelo para que o Congresso Nacional participe, de forma mais efetiva, do Programa de Combate à Fome e à Miséria, da mesma forma que o governo federal e vários segmentos da sociedade civil estão participando. Eu sinto que o Congresso precisa se mobilizar e se posicionar mais
74497 concretamente em relação à fome e à miséria, afirmou. Segundo ele, o Congresso "tem um papel importante nessa luta, e, hoje, não se governa e nada se faz no país sem o Congresso". Betinho disse que apesar de ter sido criada há quase dois meses a Frente Parlamentar de Combate à Fome e à Miséria, a adesão ainda é muito pequena, já a frente é integrada por apenas 10 deputados e seis senadores (JB) (JC) (O Globo).