As empresas estatais vão enfrentar um rigoroso controle do governo, com cortes de investimentos, acompanhamento dos salários e redução nos gastos de custeio. O objetivo do Ministério da Fazenda, onde está sendo elaborado o choque que será anunciado nos próximos dias, é obter das estatais uma contribuição ao ajuste fiscal do setor público. A equipe econômica discutiu semana passada com advogados da União como repassar ao Tesouro Nacional parte dos lucros das empresas, entre elas a TELEBRÁS, que anunciou ganhos de US$1,1 bilhão de janeiro a maio. O governo quer obter retorno dos investimentos nas empresas. Como parte do choque nas estatais, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) está fazendo uma devassa na contabilidade oficial para sensibilizar a sociedade em relação à privatização. Os primeiros dados mostram que as 67 estatais incluídas no programa de privatização consumiram US$21,9 bilhões de 1983 a 1992, pagando dividendos de apenas US$700 milhões. O valor gastos nessas estatais daria para construir 2,2 milhões de casas e criar um milhão de empregos por ano, enquanto essas empresas proporcionam apenas 400 mil vagas (JB) (O ESP).