TIMES ATACA AÇÃO DO BRASIL NO CONSELHO DA ONU

Num editorial publicado ontem, o jornal norte-americano "The New York Times" criticou o Brasil por ter convencido outros países do Conselho de Segurança da ONU a não autorizar um bloqueio naval contra o Haiti, para monitorar o embargo mundial de petróleo ao país a partir de 23 de junho. Com tal posição, disse o jornal, o Brasil prolonga a agonia do Haiti e enfraquece a sua própria reivindicação de um assento permanente no Conselho de Segurança. A Embaixada dos EUA transmitiu ao Itamaraty, informalmente, seu desagravo com o editorial do jornal. Não houve qualquer alteração na posição comum de Brasil e EUA na defesa de sanções contra o regime militar haitiano. Em nenhum momento, esclareceu o Itamaraty, Brasil ou EUA defenderam a ampliação do embargo para um bloqueio naval-- o que implicaria o envio de navios de guerra para patrulhar as costas do Haiti. A posição adotada por unanimidade pelo Conselho de Segurança foi de decretar o embargo da comercialização de petróleo e armas para o Haiti. Ao mesmo tempo, foi adotado o congelamento dos ativos financeiros das pessoas ligadas ao governo do Haiti. Para defender o embargo comercial, o Brasil consultou os demais países latino-americanos. Recolheu destes países posições desfavoráveis ao bloqueio e as levou ao Conselho. Os EUA acolheram a proposta, o que possibilitou a aprovação das sanções por unanimidade. O representante do Brasil na ONU, embaixador Ronald Sardenberg, foi efusivamente aplaudido num ato de desagravo ao Brasil prestado pelo Grupo Latino-Americano e do Caribe (Grulac). O embaixador do México, Manuel Tello, qualificou o editorial do "Times" como "um misto de ignorância e má-fé" (O Globo).