TRABALHO ESCRAVO EM RESENDE

Os empregados da Granja Rocha Klotz, em Resende (RJ), trabalham entre 10 e 17 horas por dia, não recebem salário e hora-extra e nem têm direito a férias e folgas semanais. Mesmo que tivessem assistência médica, eles não teriam dinheiro para comprar remédios porque não recebem em espécie. O "pagamento" é uma minguada cesta-básica. Apesar disso, contam com carteiras de trabalho assinadas com os salários fictícios. Na fazenda, cerca de 30 trabalhadores vivem, há nove meses, em regime de semi-escravidão. A denúncia foi feita ontem pelos deputados estaduais Carlos Minc, Paulo Banana de Amorim e Marcelo Dias, do PT, que fizeram uma blitz na fazenda. Dono de outras quatro fazendas na região, João Luís Rocha Klotz-- que já foi autuado 10 vezes pela Delegacia Regional do Trabalho de Volta Redonda (RJ) por não cumprir leis trabalhistas-- mantém cerca de 80 trabalhadores nas mesmas condições da granja. A denúncia será levada ao ministro do Trabalho, Walter Barelli, que poderá agir para enquadrar o fazendeiro nos artigos 148 e 209 do Código Penal (JB).