EXPANSÃO DESORDENADA DA AMAZÔNIA

A Amazônia não tem um só trecho em condições ambientais "aceitáveis". Esta é a conclusão geral do Diagnóstico Ambiental da Amazônia Legal, elaborado por técnicos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O trabalho foi lançado ontem, em Belém (PA), pelo presidente do órgão, Sílvio Minciotti, pelo ministro do Meio Ambiente, Coutinho Jorge, e pelo secretário de Assuntos Estratégicos, Mário César Flores. Segundo a coordenadora do projeto, a geógrafa Antônia Maria Martins Ferreira, a degradação ambiental está associada ao processo de apropriação e uso do território amazônico. O mapa do IBGE apresenta as regiões de acordo com sua qualidade ambiental-- regular, crítica e muito crítica--, a partir de informações obtidas sobre as condições de vida da população e o grau de degradação do meio ambiente. Mostra, por exemplo, que a ocupação da calha do Solimões-- Amazonas, Marajó e litoral do Amapá-- ainda é um retrato da história da conquista e exploração do Norte do Brasil, com formas tradicionais de ocupação ribeirinha e de várzea e exploração de pecuária e da madeira. "A expansão desordenada no meio urbano vem ampliando a degradação", analisa Antônia Maria. "O crescimento de Manaus chama a atenção para um quadro crítico de degradação social e comprometimento dos rios e iguarapés. Historicamente, a Amazônia foi se desqualificando, os modelos econômicos desvinculados de sua realidade foram lhe tirando a identidade", diz. O Diagnóstico Ambiental da Amazônia Legal aponta a ocupação desordenada do solo como o maior problema ambiental do Maranhão. Ali a terra está concentrada nas mãos de poucos e a miséria que atinge grande número de pessoas provoca a migração em busca de trabalho. O documento destaca também o impacto ambiental provocado pelos grandes projetos governamentais próximos a rodovias, como a BR-010 (Belém (PA)-Brasília (DF). Em Mato Grosso, os dados identificam os garimpos, a caça e pesca predatórios, junto com a intensificação do uso do solo nos chapadões, como fatores de desequilíbrio ambiental. Em Rondônia, o grande desafio é a fixação do homem nas grandes extensões de terra. As atividades diferenciadas de latifundiários e madeireiras determinam, segundo o IBGE, vários graus de comprometimento ambiental na Amazônia Central e Setentrional. A exploração de madeira é também identificada como fator de degradação do meio ambiente da Amazônia Ocidental, que ainda enfrenta problemas como a expansão do garimpo e a desagregação das comunidades indígenas. Embora os representantes do governo federal presentes ao lançamento tenham se comprometido a respeitar os conceitos de desenvolvimento sustentado, em qualquer ação desenvolvimentista na Amazônia, duas questões ficaram sem resposta: como viabilizar os recursos para projetos harmonizando-se desenvolvimento e preservação ambiental; e como corrigir os projetos, em andamento ou já concluídos, que agridem o meio ambiente. O ministro Coutinho Jorge considera que o Brasil terá ajuda externa para implementar o projeto, orçado em US$880 milhões, mas avisou que o Macrozoneamento Ecológico e Econômico da Amazônia é "coisa para se pensar a curto e médio prazos". Ele garantiu apenas US$23 milhões ao governo do Pará, destinado ao programa piloto de florestas tropicais, que será instalado na Serra dos Carajás. O governdor do Pará, Jáder Barbalho (PMDB), condenou, durante o lançamento do documento, a política federal para a Amazônia, a falta de verbas para a área, o sucateamento da SUDAM (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia) e os incentivos fiscais para empresários do Sul e do Sudeste investirem na região. "O fruto desses incentivos vai enriquecer mais os empresários, enquanto nós ficamos apenas com a miséria e a crise", afirmou (JB) (O ESP).