PROSTITUIÇÃO INFANTIL NO BRASIL

O Brasil voltou a ser destaque no placar das mazelas do mundo durante a Conferência Mundial dos Direitos Humanos, que se realiza em Viena (Áustria). Documentos distribuídos por movimentos de defesa da mulher colocam o país no 1o. lugar em prostituição infantil na América Latina e 2o. no mundo. De acordo com os dados do Ministério do Bem-Estar Social, reproduzidos em textos de entidades não-governamentais, o país teria 500 mil meninas prostitutas. O Human Rights Watch, em seu relatório deste ano, analisa a extensão do problema e a falta de programas assistenciais e de políticas públicas, capazes de evitar a violência e o abuso sexual-- esse mesmo tipo de informação conta do relatório sobre direitos humanos elaborado pelo Departamento de Estado dos EUA. Na frente do Brasil está a Tailândia, tido como o paraíso da prostituição infantil-- lá haveria, segundo o Fundo da ONU para o Desenvolvimento da Mulher, 800 mil meninas prostitutas. Em terceiro lugar, com 400 mil meninas, está a Índia. Ao analisar a prostituição infantil na América Latina, a OMCT (Organização Mundial Contra a Tortura) classifica o Brasil como o país onde a situação das crianças é mais "preocupante". Segundo o relatório, no país se desenvolve uma rede de tráfico e venda de crianças que está colocando as meninas numa situação de "virtual escravidão". O texto cita a região amazônica, onde existem rotas de tráfico de meninas escravas. O texto lembra que as meninas prostituídas são constantemente expostas à violência e exploradas sexualmente pela polícia. São vítimas, acrescenta, de maus-tratos que afetam não apenas a sua saúde física, mas também a saúde mental. "As crianças de rua, como temos sublinhado nesse relatório, são as mais expostas a todos os tipos de violência, e têm seus direitos regularmente desrespeitados", diz o texto da organização. O documento afirma ainda que as crianças são as presas favoráveis dos traficantes de crianças. "Abandonadas, sem casa, não têm sequer documento de identidade-- quando elas desaparecem não chamam a atenção de ninguém". Ontem, o brasileiro Atanagildo Matos, sucessor de Chico Mendes, afirmou perante a Conferência que a Amazônia não deve ser um santuário ecológico e sim um meio de sustento para as famílias que nela vivem. Outro brasileiro, o teólogo Leonardo Boff, denunciou o genocídio de indígenas e o estado de sujeição das populações pobres da América Latina. "Oito milhões de crianças vivem nas ruas e nelas morrem, muitas delas de fome", disse Boff (FSP) (O ESP).