AUMENTA TRABALHO SEM CARTEIRA ASSINADA

Cinco milhões de trabalhadores-- 10% da População Economicamente Ativa (PEA) do país-- deixaram de ter carteira assinada de 1990 para cá. Desse total, uma parte ficou desempregada e outra passou a trabalhar sem carteira ou por conta própria. A informação consta do boletim "Economia, Capital & Trabalho", lançado ontem pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Entre as causas estão a recessão, a terceirização e o aumento da produtividade na indústria, que entre março de 1987 e dezembro de 1992 cresceu 22,29%. Os salários também foram atingidos. Queda de renda real (descontada a inflação) variando de 45% em São Paulo (SP) a 27% em Belo Horizonte (MG), entre março de 1990 e fins de 1992. No Rio de Janeiro (RJ), a perda foi de 41,3%. Só que desta vez os mais ricos perderam mais. É que a concentração de renda se reduziu no governo Collor: o índice de GINI (que segue um intervalo de zero a um e indica menor disparidade quanto mais se aproxima do zero) caiu, no Rio, de 0,60 para 0,54 do fim do governo Sarney até o fim da gestão Collor. Para o editor do boletim, Edward Amadéo, o país enfrenta hoje o mesmo problema que a Europa vem sofrendo há 12 anos: produtividade e desemprego crescentes (O Globo).