ÍNDIOS E SEM-TERRA ACUSADOS POR DEVASTAÇÃO

Índios e colonos sem-terra estão sendo acusados por ecologistas do Rio Grande do Sul de destruírem o meio ambiente e devastarem reservas florestais no estado. O problema mais grave ocorre nos 14.498 mil hectares do Parque Florestal de Nonoai, ocupado pelos caincangues em fevereiro de 1992 e que, segundo denúncia do biólogo João Paulo Steigleder, estão devastando o ecossistema característico da mata de araucária e da floresta tropical. Diretor do Departamento de Recursos Naturais Renováveis da Secretaria de Agricultura, Steigleder destaca que naquele parque há uma variada fauna e várias espécies florestais nativas. O biólogo disse ainda que os índios estão vendendo madeira de espécies nativas a madeireiras e também a fauna que caçam em troca de carne de boi ou de cachaça. O problema do Parque Florestal está sendo debatido pela Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa. O procurador da República Domingos Sávio da Silveira informou a existência de dois processos tramitando na Justiça Federal. Um busca resgatar os 35 mil hectares que em 1911 foram demarcados como área indígena e outra ação tenta uma solução sobre o arrendamento de terras da reserva, feita pelos índios em favor do atual prefeito de Nonoai, que possui uma fazenda dentro da reserva. Além dos índios, também os sem-terra são acusados de devastar mais da metade dos dois mil hectares da área de proteção ambiental da Fazenda Annoni, local onde há centenas de famílias assentadas à espera da reforma agrária, no Município de Sarandi. Segundo denúncia da Associação Sarandiense de Proteção ao Ambiente Natural, os sem-terra estão derrubando dezenas de árvores para usar o local, no futuro, para assentamento de famílias de colonos (JB).