VIOLÊNCIA CONTRA JOVENS AUMENTA NO RIO DE JANEIRO

Os jovens estão na linha de tiro, admite o vice-governador e secretário de Justiça e de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, Nilo Batista, que registrou no ano passado um terço a mais de casos de assassinatos de crianças e adolescentes. O número de homicídios de jovens em 92 aumentou 38% em relação ao ano anterior e até abril deste ano já somava 46% dos casos ocorridos no ano passado. As estatísticas são da Secretaria de Estado de Polícia Civil. Preocupada com a crescente onda de violência contra os jovens, a Vice- governadoria realiza em conjunto com o IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) uma pesquisa inédita para conhecer caso a caso as 306 mortes de crianças e adolescentes ocorridas em 91. Além de traçar o perfil das vítimas e dos agressores, a pesquisa vai avaliar melhor a produtividade da investigação policial na violência contra o menor. As autoridades policiais supõem que houve mudanças na origem da violência contra crianças e adolescentes no Rio. Com a vigorosa repressão aos grupos de extermínio, desde o ano passado, há indícios de que o jovem tem sido mais vítima da disputa de quadrilhas de traficantes de drogas. Em fevereiro deste ano, porém, dos 58 casos registrados, 13 (mais de 20%) são classificados como consequência da ação de grupos de extermínio. O mesmo ocorreu em dezembro de 92, quando obtiveram a mesma classificação 12 dos 55 casos registrados. O ano passado registrou um total de 424 adolescentes executados-- uma média de 35 por mês-- de um total de 7.635 homicídios. Em 91, a Secretaria registrou a morte de 306 crianças e adolescentes entre as 7.518 vítimas de homicídio no estado. Em 1990 foram 427 adolescentes executados (JB).