Najum Turner é quem tem de se explicar. Esta foi a linha de defesa que Cláudio Vieira, ex-secretário particular do ex-presidente Fernando Collor, apresentou ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF), durante o seu interrogatório. Completamente afinado com a tese que o ex-presidente apresentou anteontem, Vieira assumiu que ele e a ex-secretária Ana Acioli eram os responsáveis pelo gerenciamento do dinheiro de Collor. Ele disse que não sabia dos cheques fantasmas, dos depósitos na conta de Acioli/Collor e o pagamento da Fiat Elba do ex-presidente. Esses cheques, disse Vieira, vieram do doleiro Turner, o "gerenciador" dos US$3,75 milhões que teriam sobrado de um empréstimo total de US$5 milhões que Vieira afirma ter tomado emprestado no Uruguai-- a chamada "Operação Uruguai", que Collor supostamente fez para financiar sua campanha presidencial. O dinheiro não teria sido necessário e Collor passou a usá-lo para gastos pessoais. O ex-secretário confirmou também a novidade trazida por Collor para o processo: os cerca de US$25 milhões de sobras de campanha, administrados por Paulo César Farias, o PC. Alguns depósitos feitos por PC na conta Acioli/Collor vieram desse dinheiro (FSP).