GOVERNADORES REAGEM À COBRANÇA DE DÍVIDAS

O governador de São Paulo, Luiz Antônio Fleury (PMDB), impôs ontem condições para apoiar as medidas econômicas anunciadas pelo ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. A principal cobrança de Fleury foi o pagamento das dívidas da União aos estados e municípios, numa contrapartida ao endurecimento prometido pelo ministro no tratamento das dívidas estaduais e municipais para com o governo federal. Fleury rebateu dados do Ministério da Fazenda que indicam uma dívida total de US$13,6 bilhões como débitos de São Paulo. Segundo o governador, estão hoje em negociação com o governo federal US$6,2 bilhões. A dívida mobiliária chega a US$5,4 bilhões, mas, segundo ele, não faz parte dos entendimentos com a União. Segundo Fleury, o governo federal deve US$5,1 bilhões ao estado. Assim, o débito real de São Paulo seria de US$1,1 bilhão. O governador do Rio Grande do Sul, Alceu Collares (PDT), disse que "a União não tem moral, ética e fundamento político" para cobrar as dívidas dos estados. O RS deve US$6 bilhões. Pedro Pedrossiam (PTB), do Mato Grosso do Sul, afirma que vai cobrar do governo federal as dívidas referentes a obras e serviços executados no estado que seriam de competência da União. Ele quer abater o valor de um total de US$900 milhões que o MS deve ao governo federal. Roberto Requião (PMDB), governador do Paraná, disse que o estado deve US$931 milhões à União e tem a receber US$3,042 bilhões referentes a créditos de energia elétrica e à construção da ferrovia central do Paraná. Já o governador de Minas Gerais, Hélio Garcia (sem partido), está tentando renegociar a dívida com o governo. Ele quer carência de dois anos para o pagamento. MG deve US$624 milhões à União. Os governadores do Amazonas, Gilberto Mestrinho (PMDB), e de Santa Catarina, Vílson Kleinubing (PFL), disseram apoiar as medidas do governo. Ambos afirmam que seus estados estão em dia com o pagamento de suas dívidas. O secretário de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro, Cibilis Viana, enviou ofício ao Ministério da Fazenda contestando a informação de que o estado tem dívidas em atraso com a União. O RJ deve US$3,1 bilhões à União-- excetuando-se as dívidas referentes ao metrô (US$2,5 bilhões), que, segundo Viana, deveriam ser assumidas pelo Tesouro. Viana afirma que, por estar "absolutamente em dia" com suas contas, "aplaude" a proposta do ministro da Fazenda de que os devedores comprometam no ano que vem 9% da receita líquida para pagamentos à União (FSP).