A indústrias esmagadoras de soja do Brasil e da Argentina fecharam ontem posição comum para rechaçar a proposta apresentada pela International Association of Seed Crushers (IASC) como complemento ao acordo de oleaginosas acertado entre EUA e CEE. A IASC quer o apoio da associação brasileira (ABIOVE) e da associação argentina (CIARA) para uma proposta aparentemente salutar para a livre concorrência no mercado de oleaginosas, mas que, na visão dos países latino-americanos, traz um grande risco para a sobrevivência de suas indústrias. A proposta, conhecida por International Level Playing Field, contempla o livre acesso às matérias-primas para todos os países processadores; o acesso ao mercado para todos os produtos em bases comuns; e a remoção de todas as formas de competição desleal. A IASC tinha sugerido reuniões isoladas no Brasil e na Argentina. As as associações resolveram participar juntas dessa reunião, ocorrida ontem, em São Paulo (SP), porque, por trás dessa prosta estão vendo um novo acerto entre EUA e Europa que, tal como no acordo de oleaginosas, busca uma acomodação para seus próprios mercados sem beneficiar o Brasil e Argentina. O acordo de oleaginosas, resultado de um painel aberto no GATT contra os subsídios concedidos pela CEE, praticamente congela a área de produção de sementes oleaginosas na Europa. No entanto, ele permite que continuem a ser pagos subsídios aos produtores por hectare plantado e também por produção. Por trás da proposta da IASC, afirma o presidente da ABIOVE, Raul Paulo Costa, está a pretenção da Europa de ter livre acesso à matéria-prima que o Brasil e a Argentina produzem. Uma solução que seria interessante também para os EUA, já que a indústria européia deixaria de pressionar seu mercado interno para comprar grãos. Tanto os EUA quanto a Europa aumentariam seu esmagamento à custa da redução no Brasil e na Argentina. Na avaliação da ABIOVE e da CIARA, as indústrias européias, se não encontrassem barreira tarifária para importar grãos do MERCOSUL, poderiam abastecer fartamente suas indústrias porque podem pagar preços maiores pelo grão. Por um lado contam com um mercado consumidor de 340 milhões de habitantes e que paga mais caro pelos seus produtos. Por outro lado, têm subsídios, o que aumenta sua margem para pagar mais caro pelo grão. Se elas aumentassem a importação de grãos, tirando da concorrência as indústrias brasileiras e argentinas, indiretamente beneficiariam os EUA. Porque a redução na produção de óleo da Argentina, que é o maior exportador mundial, reduziria a necessidade de subsídios em seus programas de exportação. A safra mundial de soja em 1993/94 deverá ter uma redução de 1,3%, para 114,5 milhões de toneladas, segundo estimativa da publicação alemã Oil World. As reduções nas lavouras da CEE, e possivelmente do Brasil, deverão ser compensadas por maiores áreas plantadas na China, Argentina e Canadá (GM).