Brasil e Paraguai decidiram ontem criar uma comissão mista que se encarregará, entre outros assunto, de pedir um estudo de viabilidade à Itaipu Binacional para uma otimização das águas não utilizadas da represa. O anúncio foi feito ontem, em Brasília (DF), pelo presidente eleito do Paraguai, Juan Carlos Wasmosy, que propôs essa iniciativa ao chanceler interino Felipe Lampréia. A resposta brasileira foi sugerir a criação da comissão, assunto que estará em pauta no próximo dia 1o. em Assunção, quando o presidente Itamar Franco visitará o Paraguai. Outro assunto importante abordado, que gerou um compromisso brasileiro, foi o relacionado com as dívidas do Brasil ao governo paraguaio e à Itaipu Binacional. O ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, segundo Wasmosy, prometeu, até o final deste mês pagar US$42 milhões ao Paraguai, referentes a compensações pelo uso da água da represa e royalties, e US$30,9 milhões representando os atrasados do Brasil para com a Binacional. Em encontro que manteve com o presidente do Banco do Brasil, Alceu Calliari, Wasmosy recebeu o oferecimento de uma linha de crédito de US$200 milhões para alavancar o intercâmbio comercial, pelo prazo de cinco anos, com a utilização e as taxas ainda a serem combinadas. Além disso, o BB acenou com a possibilidade de oferecer apoio logístico na área de lançamento de Eurobonds, colocando à disposição do governo paraguaio equipes que já se especializaram no lançamento de bônus de empresas do MERCOSUL. Outra oferta brasileira foi o apoio de crédito e intermediação do BB Leasing, de Nova Iorque (EUA), para a modernização da indústria paraguaia. Wasmosy e seus interlocutores não negociaram nada, até porque ele só assumirá o governo paraguaio no dia 15 de agosto. Mas as conversas giraram em torno dos temas mais importantes da pauta bilateral: Itaipu, a construção da hidrovia Paraná-Paraguai, o negócio dos carros roubados e a construção de uma terceira ponte unindo os dois países e o MERCOSUL. Sobre a formação de um mercado comum entre os quatro países, Wasmosy disse que, "tudo vai depender do Brasil e da coordenação de políticas macroeconômicas. Somos firmes partidários da integração e de não fazer as coisas apressadamente. Ainda que a formação do MERCOSUL sofra um atraso, estou de acordo", comentou o presidente eleito (GM).