No Dia da Cidadania, comemorado ontem, o presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), deputado José Nader (sem partido), decidiu fechar as portas da Casa por quatro horas tentando impedir a realização de uma manifestação promovida por um grupo de 21 deputados que querem a reforma do regimento interno. Na prática, é o regimento que permite a Nader só pôr em votação os projetos que julga convenientes. Sabendo da manifestação, Nader reforçou a segurança, determinando que os portões fossem trancados e que apenas funcionários pudessem entrar. Além disso, ele mandou trancar também a sala das comissões, onde o ato seria realizado. Quando os portões finalmente foram abertos, os manifestantes se reuniram na sala da Comissão de Justiça. O principal orador do ato, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, secretário-executivo do IBASE e coordenador nacional da campanha contra a fome, teve que gritar ao fazer seu discurso, já que o equipamento de som não havia sido instalado. "Me surpreendo que nesta Assembléia ainda esteja em prática o autoritarismo. Portas fechadas para mim são sinônimo de prisão. Ninguém pode se considerar dono de um parlamento", disse Betinho. Segundo ele, "a luta contra a fome tem tudo a ver com isso aqui. A ditadura e as injustiças sociais levaram 31 milhões de pessoas à fome. Essa Casa tem que ser um exemplo de democracia e não de autoritarismo e baixo nível político". O ato teve também a participação de várias entidades da sociedade civil, entre elas a ABI (Associação Brasileira de Imprensa). O ato marcou o lançamento do Movimento pela Dignidade e Democratização da ALERJ. Entre as iniciativas tomadas pelo grupo está a de instalar, na próxima semana, do lado de fora da Assembléia, uma espécie de sessão parlamentar, na qual pretendem criar simbolicamente várias CPIs, com a participação da população (O Globo) (O Dia) (JB).