Ameaçado pelo crime organizado e sob proteção da Polícia Federal, o prefeito de Maceió (AL), Ronaldo Lessa (PSB), disse ontem que vai pedir intervenção do Exército em Alagoas. Segundo ele, a Polícia Militar tem participação na criminalidade e só o Exército poderá resolver a situação. "Em Alagoas, os pistoleiros estão matando à luz do dia e as testemunhas não falam com medo de morrer", declarou. De acordo com relatório da comissão do Ministério da Justiça que investiga a violência em Alagoas, em 80% dos 600 assassinatos investigados no estado houve participação direta ou indireta de 850 PMs. O prefeito acusou o governador Geraldo Bulhões (PRN) de "omisso", e o ex-presidente Fernando Collor-- que governou o estado-- de ser "um dos responsáveis pelo agravamento da violência", por não ter adotado providências. Ele considera que o empresário Paulo César Farias, o PC, morador de Maceió, liderou um esquema de corrupção que "degradou ainda mais" as instituições e o respeito às autoridades no estado. O ministro da Justiça, Maurício Corrêa, analisa a possibilidade de intervenção federal no estado. Lessa já obteve o apoio do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, secretário- executivo do IBASE e responsável pelo Movimento pela Ética na Política no ano passado. "Temos certeza da compreensão do ministro do Exército nesta hora", frisou o prefeito (O ESP).