TRÁFICO DE ÓRGAOS NO BRASIL

Uma das mais importantes entidades internacionais de direitos humanos, a OMCT (Organização Mundial Contra a Tortura), preparou um relatório sobre o tráfico de órgãos e cita o Brasil. Hoje, a OMCT vai propor oficialmente, na Conferência Mundial de Direitos Humanos, em Viena (Áustria), a criação de uma comissão patrocinada pela ONU (Organização das Nações Unidas) para investigar mais detalhadamente as rotas da venda ilegal, o que motivaria assassinatos. Além do Brasil são citados Argentina, Guatemala, Honduras e Colômbia, onde surgem denúncias sobre quadrilhas que matam pessoas para extrair órgãos. Há dois tipos de denúncias: 1) o órgão é retirado ilegalmente quando a pessoa já está morta; 2) pessoas são mortas para extração de órgãos. O Brasil entrou na lista porque a OMCT enviou em 1992 uma pesquisadora ao país. Sua missão, porém, se restringia a verificar os maus-tratos contra as crianças, tema geral do relatório que será apresentado hoje. Durante a investigação a pesquisadora recebeu de organizações não-governamentais, como o Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, informações sobre crianças mortas que estavam sem órgãos. Esses relatos foram considerados um indício que poderia levar a uma rede mais ampla ligada a centros da Europa. A suspeita recai ainda sobre o Brasil por causa do registro-- este plenamente confirmado-- sobre quadrilhas que patrocinam a adoção ilegal de crianças. Essas adoções ocorrem com crianças compradas ou sequestradas (FSP).