COLLOR TRANSFERE CULPA

O ex-presidente Fernando Collor de Mello foi interrogado ontem durante quatro horas e 15 minutos no Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa básica para todas as perguntas foi de que o dinheiro usado em suas despesas-- US$25 milhões de sobras de campanha e US$5 milhões da Operação Uruguai-- não é dinheiro público. Para descaracterizar a acusação de corrupção feita pela Procuradoria Geral da República, Collor também alegou que não existe qualquer ato seu ligado às ações supostamente ilícitas. Collor transferiu para seus ex-secretários Cláudio Vieira e Ana Acioli e para o tesoureiro de sua campanha, Paulo César Farias, o PC, toda a responsabilidade pelas operações bancárias relacionadas ao pagamento de suas despesas pessoais e da reforma na Casa da Dinda. Collor continua a negar que tenha se beneficiado do governo, procurando passar a imagem de que-- "preocupado com os grandes problemas nacionais"-- desconhecia o que faziam seus colaboradores e amigos mais íntimos. Nem o relator do processo no STF, ministro Ilmar Galvão, nem o representante da Procuradoria, Haroldo Ferraz da Nóbrega, exploraram as contradições de Collor. O ex-presidente disse que tomou conhecimento de vários fatos-- os cheques "fantasmas" pagando suas despesas, por exemplo-- através da imprensa. Ninguém perguntou que atitudes ele tomou em relação a esses fatos (FSP) (JB) (O Globo).