BRASIL TENTA MEDIAÇÃO EM VIENA

Apontado como um dos vilões no campo dos direitos humanos, por causa do extermínio de crianças e outras mazelas, o Brasil surgiu ontem na Conferência Mundial de Direitos Humanos, em Viena (Áustria), como mediador na disputa entre o Norte industrializado e países da Ásia, do Oriente Médio e da África em torno da formulação de idéias sobre direitos humanos. Na qualidade de presidente da comissão de redação do projeto de documento final da conferência, o Brasil convocou ontem todas as partes para encontrar uma saída de compromisso para a formulação do texto que salve ao menos as aparências da conferência. A missão é a de encontrar um consenso entre os 180 países participantes sobre a questão da universalidade dos direitos humanos e da criação de um Alto Comissariado da ONU (Organização das Nações Unidas) nesse campo. A tese da criação do Alto Comissariado, um organismo que assusta os países refratários pois será capaz de fazer recomendações ao Conselho de Segurança da ONU, ganhou ontem a adesão da Rússia. O chanceler Andrei Kozyvev se alinhou com os EUA e outras nações ocidentais, salientando que Moscou também apóia a criação de um tribunal internacional para julgar violações de direitos. Incidentes políticos não faltam em Viena. Ontem, um ativista de direitos humanos, Michal Wichmann, tentou interpelar o chanceler de Cuba, Roberto Robaina, sobre a prisão de um cubano que colaborou com a ONU na investigação de violações de direitos humanos na ilha. Foi expulso da sala, sob vaias da platéia. Qual a melhor pedra para se atirar em uma mulher? Um grupo de feministas apresentou na conferência um documento oficial do governo do Irã ensinando qual a pedra melhor-- o manual, escrupulosamente didático, reproduz desenhos das piores ou melhores, a serem utilizadas contra quem arranhar as leis sagradas. O manual iraniano é apenas um pequeno exemplo da galeria de mazelas expostas no encontro, onde estão reunidos representantes oficiais de 180 países e 1.200 Organizações Não- Governamentais (ONGs). Para evitar tumultos decidiu-se que, nas reuniões oficiais, seriam discutidos princípios e não casos concretos. Um espaço foi reservado apenas às ONGs, que exibem vídeos com depoimentos de mulheres bósnias estupradas, crianças sem braço ou olhos contando a opressão dos iraquianos contra os curdos, mulheres do Punjab (Índia) falando da tortura por policiais indianos, entre outros (O ESP) (FSP).