AUMENTA A ESCRAVIDÃO NO BRASIL

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) constatou um aumento alarmante no número de casos de trabalho escravo no ano passado. O dossiê com o balanço dos conflitos no campo já está sendo distribuído para centenas de sindicatos rurais, em todo o país, e registra 16.442 pessoas submetidas a regime de semi-escravidão em 1992, contra 4.883 no ano anterior. Foi constatada ligeira redução no número de assassinatos de lavradores: 46 mortes no ano passado, contra 54 em 1991. A região Nordeste foi líder nos assassinatos (22), seguinda pela Norte (14). Segundo a CPT, em 1992 foram descobertos 18 casos de trabalho escravo em todo o país. O mais grave foi registrado em Mato Grosso do Sul, onde oito mil carvoeiros (homens, mulheres e crianças) eram explorados no maciço florestal que se estende por quatro municípios: Ribas do Rio Pardo, Águas Claras, Três Lagoas e Naviraí. Os trabalhadores, que produziam carvão para as indústrias siderúrgicas de Minas Gerais, cumpriam jornadas de até 12 horas por dia em troca de comida. No capítulo sobre assassinatos, a CPT constatou que, embora tenha ocorrido queda no número de mortes, a lentidão da Justiça e a corrupção policial impedem que os crimes sejam punidos: dos 1.730 assassinatos de agricultores e dirigentes sindicais rurais registrados no país desde 1964, somente 29 foram a julgamento, e desses, a Justiça fez 17 condenações e 12 absolvições (JC) (JB).