A mais nova entidade empresarial do país, a Associação Brasileira de Agribusiness (ABAG), criada no mês passado com a pretensão de representar setores responsáveis por cerca de 36% do PIB, começa a dar seus primeiros passos. Ontem, em São Paulo, a entidade organizou um seminário sobre o tema segurança alimentar, uma discussão na qual pretende ter participação ativa. A ABAG, segundo seu presidente, o empresário Ney Bittencourt Araújo, pretende atuar em cima de tarefas de interesse comum e entrar nas grandes discussões nacionais, como a revisão constitucional. A fome no Brasil, diz Bittencourt, é hoje epidêmica nas grandes cidades. Defendemos um programa com o menor desperdício possível de recursos, mas
74396 que, ao mesmo tempo, não fuja da economia de mercado. A forma de conduzir
74396 esse programa com o menor risco de desvios está na sua descentralização.
74396 A comunidade deve estar diretamente ligada à execução do programa, que
74396 deve contar com investimentos da sociedade local, diz. Segundo ele, a simples redução dos preços dos alimentos não resolve o problema da fome nem mesmo se eles caíssem à metade. "Se a agricultura representa 10% do PIB, os outros 90% teriam de pagar proporcionalmente o custo desse programa. A redução dos preços dos alimentos, para níveis abaixo de seus custos de produção, provocaria a redução da oferta, recolocando o problema de crise alimentar de forma mais crítica. Embora a agricultura ainda tenha muito a melhorar em eficiência, principalmente na perda de produção no processo de colheita e remoção, os diagnósticos apontam que o problema da fome no Brasil é de renda do consumidor e não de produção", diz o presidente da ABAG. Segundo ele, na questão da segurança alimentar, tão sério quanto o problema urbano é o problema rural. "É preciso pensar medidas para segurar no campo o pequeno produtor, que não é competitivo. A reforma agrária não vai aumentar a oferta de alimentos. Seu papel será o de frear o violento processo de urbanização, dando as condições para que esses pequenos produtores permaneçam no campo com suas lavouras de subsistência", diz. Entre as tarefas da ABAG consta também a organização do setor contra o protecionismo, para apoior as gestões do governo e do grupo de Cairne e nas negociações do GATT. A outra preocupação é o MERCOSUL e os problemas decorrentes da integração, que hoje estão sendo mascarados pela sobrevalorização do câmbio na Argentina. Mas o trabalho básico da ABAG será a organização de informações sobre o agrobusiness, através do Instituto de Estudos do Agribusiness (Ieag). A ABAG está negociando também com a FGV a elaboração do Índice Abag de evolução dos preços dos alimentos no atacado e varejo (GM).