MINISTRO ASSUME MORTE DE FAZENDEIRO

O ministro da Agricultura, Nuri Andraus, foi nomeado, há uma semana, sem que o presidente Itamar Franco soubesse que o novo auxiliar é réu em processo de homicídio ocorrido em São Domingos (GO). "Não revelei isso ao governo porque, para mim, o caso está encerrado desde 1975", disse ontem o ministro. O Palácio do Planalto só foi informado do envolvimento de Andraus na morte do fazendeiro Waldemar José de Oliveira no final da semana passada, pouco antes de a notícia ser publicada pela revista Veja. O fazendeiro Oliveira, segundo o ministro, morreu com um disparo de sua própria arma, enquanto os dois lutavam. O ministro-- que reforça a versão com laudo feito na época a seu pedido-- afirmou que estava desarmado. "Sou vítima porque levei um tiro na mão e outro no ombro", sustentou. As famílias de Oliveira e de Andraus não se entendiam sobre as fronteiras de suas terras. O ministro também foi acusado pela deputada Lúcia Carvalho (PT-DF) de sonegar o pagamento de ICMS. Segundo ela, que está sendo processada por Andraus, o ministro foi diretor de duas empresas do grupo Silva Neto, a Codipe e a Dinasa, que devem cerca de US$3,7 milhões em impostos ao governo do Distrito Federal. Andraus assegurou que não pode responder pela suposta dívida da Dinasa por ter se afastado da empresa em 1984. Quanto à Codipe, da qual saiu em 1991, ele afirmou que não há sonegação. Andraus, ex-secretário da Agricultura de Brasília, também é acusado de ter usado no ano passado sua influência para favorecer a empresa Cavesa, de seus parentes, em uma licitação para compra de 24 carros. O presidente da EMATER, Waldir Giusti, presente à entrevista coletiva dada ontem pelo ministro, sustentou que as denúncias são improcedentes. O ministro negou ainda que mantenha litígios com o INCRA pela posse de terras. "O órgão quer ver os títulos de uma área de 10 mil hectares", disse. "Desse total, apenas 270 hectares me pertencem". O ministro da Agricultura atribuiu aos setores financeiros a divulgação dessas denúncias: "Defendo que os juros do crédito agrícola variem de acordo com a oscilação dos preços dos produtos, o que não agrada aos bancos" (O ESP).