O economista Edmar Bacha, assessor especial do ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, afirmou ontem que a equipe econômica deixará o governo se não conseguir impor os cortes definidos para os gastos públicos. A declaração foi um recado para deputados e governadores que resistem à idéia da redução de gastos. Algumas medidas que serão anunciadas na reunião ministerial de hoje se destinam a fazer um cerco às despesas públicas. Prevêem, por exemplo, a possibilidade de demissão de diretores de empresas estatais que não se enquadrem na política de contenção de gastos e a limitação dos aumentos reais de salários às empresas públicas lucrativas. A Secretaria da Receita Federal deve revelar os nomes de 100 grandes sonegadores e pretende criar um serviço de inteligência para identificar outros. O ministro da Fazenda afirmou que o corte no Orçamento Geral da União deste ano não passará de US$6 bilhões, bem abaixo dos US$20 bilhões anunciados na semana passada pelo Ministério do Planejamento. Mesmo com os cortes, ele previu que o governo não conseguirá elimiar o déficit público. "O objetivo é o equilíbrio orçamentário, mas não posso fazer milagres", disse, ressaltando que serão necessários "esforços adicionais" para elimiar o déficit, entre eles o reforço do combate à sonegação, a aceleração da privatização e um controle rígido sobre os bancos estaduais (O ESP) (O Globo).