A 9a. Conferência Internacional sobre AIDS terminou anteontem, em Berlim (Alemanha), como era de se esperar: sem a tão ansiada descoberta que levaria à cura ou prevenção da doença dentro de um futuro próximo. "O principal nessas reuniões é juntar dados das várias áreas da ciência", disse Lars Kallings, do comitê internacional da conferência, no encerramento. E isso de fato aconteceu-- principalmente no campo da ciência básica e dos aspectos psicossociais da AIDS. "Mas as novidades sobre tratamento e prevenção foram menos animadoras", disse Kallings. Tivemos várias decepções em relação às terapias e o recado terrível
74380 de que a AIDS continua a crescer em quase todo o mundo. A conferência serviu para chamar atenção sobre o impacto da AIDS em mulheres-- que já arcam com cerca da metade das novas infecções do HIV ao redor do mundo-- e consequentemente em crianças, que pegam o vírus da mãe durante a gestação ou durante o aleitamento. A Organização Mundial de Saúde (OMS) quer verbas para cortar pela metade o número de casos novos-- dinheiro que será usado em campanhas para educar as pessoas e para tratar outras doenças venéreas, que aumentam o risco de transmissão da AIDS. Ação comunitária, tanto em prevenção como em melhoria na qualidade de vida dos portadores do vírus, também mostrou ser muito eficaz. Os dados da OMS indicam que 13 milhões de pessoas no mundo estão contaminadas pelo vírus da AIDS. E 71% dos casos de contágio no mundo se devem a contatos heterossexuais-- no Brasil, 42% dos casos de contágio se dão em contatos homossexuais e 21% em relações heterossexuais (FSP).