GOVERNO GANHA US$11 BILHÕES COM INFLAÇÃO

O governo é um grande sócio da inflação. Só no ano passado, ele ganhou US$11 bilhões de imposto inflacionário, dinheiro que corresponde a cinco vezes o faturamento anual de toda a indústria farmacêutica brasileira ou a quase todo o volume de vendas anual da PETROBRÁS, a maior empresa da América Latina. Esse imposto inflacionário vem dos cruzeiros que o governo fabrica a cada mês, para suprir a diferença comida pela inflação. Essa fonte de recursos é gerada pela necessidade das pessoas de terem cruzeiros em mãos ou em depósito à vista. Cada vez que uma família precisa de Cr$1 milhão para comprar na feira os mesmos produtos que há um mês trazia para casa com Cr$600 mil, ela permite que o governo ganhe Cr$400 mil de graça, porque ele fabrica dinheiro a mais e o usa como qualquer brasileiro-- e como qualquer brasileiro endividado, que gasta mais do que ganha. Fernando Holanda, que foi secretário de Política Econômica do governo desde o começo da gestão Itamar Franco até a entrada do ex-ministro Eliseu Resende (Fazenda), explica que o governo ganha muito com a inflação e que, assim como os bancos, precisa se preparar para viver sem ela. Ele garante que, todo ano, o governo ganha entre 2% e 3% do Produto Interno Bruto (PIB) só com a emissão de moeda para cobrir a corrosão inflacionária do cruzeiro. O grande problema do imposto inflacionário é que, além de alimentar a inflação, ele é pago pela parte mais miserável da população. "Quem paga são os 120 milhões de brasileiros que não têm conta bancária e ganham os mais baixos salários. Essas pessoas carregam cruzeiros e permitem ao governo girar a máquina para fabricar dinheiro. Os 30 milhões mais ricos se protegem nas aplicações financeiras e não ficam com dinheiro no bolso. É a forma mais horrenda de um país tributar a sua população", afirma Fernando Holanda (O Globo).