NÚMERO MENOR DE GREVES EM 1992

A profunda recessão, com inflação persistente e elevada, associada a uma alta taxa de desemprego, está interferindo diretamente no movimento sindical. O número de greves realizadas em todo o país durante o ano passado foi 28% menor que o registrado em 1991. Ao todo, foram 568 paralisações, ante 789 no 12 meses anteriores, de acordo com o Departamento de Estudos Sócio-Econômicos e Políticos (Desep) da Central Única dos Trabalhadores (CUT). O levantamento indica que o setor público foi o responsável pelo maior número de greves (17%), seguido pelo ramo de saúde e de metalurgia, ambos com 13,7%. O maior percentual de grevistas também foi registrado no funcionalismo público, cerca de 614 mil trabalhadores, que ficaram parados em média sete dias. Se comparados com o setor privado, as paralisações dos servidores públicos foram de maior duração: um tempo médio de 10 dias para as empresas públicas, ante cinco das companhias privadas. Cerca de 62,3% do total das reivindicações foi referente a salário. Outras paralisações foram motivadas pelo não-cumprimento de leis e acordos trabalhistas (que inclui atraso no pagamento de salários), cerca de 27,2% dos casos, enquanto cláusulas referentes a compensações salariais apareciam em 10% dos movimentos. As proporções se modificam quando se leva em conta o ramo de atividade da categoria. No setor metalúrgico, 34,6% das greves foram motivadas por demissões, enquanto 26,9% foram realizadas em razão de melhores salários. Conforme o estudo, das 568 greves ocorridas no ano passado, 38,9% ocorreram no Estado de São Paulo, onde se concentra o maior parque industrial do país (GM).