PAÍSES DO MERCOSUL PODEM NEGOCIAR ACORDO COM O MÉXICO

O MERCOSUL negociará com o México, no próximo ano, um acordo de livre comércio amplo, que conterá, por exemplo, mecanismos de solução de controvérsias e dispositivos para promover os investimentos entre os sócios do Cone Sul e os empresários mexicanos. O acordo de livre comércio, também conhecido como acordo de complementação econômica-- no jargão da ALADI--, começará a ser negociado assim que o MERCOSUL definir critérios, o que será discutido na reunião de Assunção do Grupo Mercado Comum, de 27 a 30 deste mês, informou ontem o embaixador Rubens Barbosa, subsecretário-geral de assuntos econômicos do Itamaraty. Os acordos de livre comércio do MERCOSUL com os parceiros da região substituirão os acordos de alcance parcial bilaterais que serão renovados até o final do próximo ano até que sejam negociados os novos tratados, previstos para entrar em vigência em 1o. de janeiro de 1995. Esses assuntos foram comentados em dois dias de conversações encerradas ontem entre as delegações do Brasil e do México, chefiadas por Barbosa e Rogelio Granguillhome, diretor-geral de Relações Econômicas para a América Latina da Secretaria de Relações Exteriores. Os mexicanos demonstraram interesse em participar das obras, no lado brasileiro, do gasoduto ligando o Brasil à Bolívia. Também na área energética ficou decidido que a PETROBRÁS e a Petróleo Mexicanos Internacional (PMI) vão negociar a renovação do contrato de fornecimento de petróleo ao Brasil, atualmente da ordem de 20 mil barris diários. Granguillhome informou que o NAFTA é compatível com os compromissos mexicanos assumidos com a América Latina. "Estamos fazendo esforços na ALADI para uma solução negociada que satisfaça ao México e aos demais membros da entidade", comentou. Desde que o México aderiu ao NAFTA surgiram dúvidas sobre a sua participação no sistema da ALADI uma vez que não estaria em condições de estender aos outros países latino-americanos as concessões que fará ao Canadá e aos EUA (GM).