O nível de emprego no setor automotivo não foi mantido, apesar de essa cláusula constar dos acordos setoriais assinados entre trabalhadores, indústrias e governo e do aumento da produção (11,49% em 1992 frente a 1991 e 33,8% nos cinco primeiros meses deste ano em comparação com igual período do ano passado). Em abril de 92, após o primeiro acordo, as montadoras empregavam 108.201 trabalhadores. A queda foi constante a partir de julho do ano passado, chegando a 102.902 trabalhadores em janeiro deste ano. A partir de fevereiro, quando o acordo foi renovado, houve recuperação e em maio último o total chegou a 105.988. São 2.213 postos de trabalho a menos em relação a abril de 92. A situação se repete nas indústrias de autopeças: empregavam 241 mil pessoas em abril de 92 e, em março de 93 (último dado disponível), o total caiu para 228,3 mil-- uma redução de 12,7 mil trabalhadores ou 5,3%. Os pacotes de demissões voluntárias são os principais responsáveis pela redução. Esses programas são acertados com os sindicatos de metalúrgicos e prevêem gratificações em dinheiro, que variam em função do tempo de trabalho na empresa e na função. São incentivos que vão além dos direitos trabalhistas. Exemplo: o empregado ganha um salário por ano trabalhado na empresa. Segundo o presidente da ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Adelar Scheuer, o acordo não impede demissões voluntárias. "Não há compromisso de repor os trabalhadores que saem por demissões voluntárias, acordos, aposentadoria e morte", diz. Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, a queda no nível de emprego no setor "põe em dúvida a seriedade das negociações" mas não é suficiente para uma ruptura do acordo da câmara setorial. Isso serve para reflexão. Mas seria irresponsabilidade jogar fora todo um projeto, ainda agora, que as contratações voltaram a acontecer e que conseguimos reajuste mensal pela inflação", disse (FSP).