ANISTIA QUER FIM DO EXTERMÍNIO DE CRIANÇAS

O presidente da Anistia Internacional, Pierre Sané, classificou ontem o assassinato de crianças no Brasil como um dos crimes mais "bárbaros" da atualidade. Ele afirmou que a imagem do país está mundialmente marcada pela ação dos grupos de extermínio e esquadrões da morte. "Não há registros sobre tal violência contra as crianças na África e na Ásia", acrescentou. Um dos mais destacados participantes da Conferência Mundial de Direitos Humanos, que está sendo realizada em Viena, Sané comentou que as entidades internacionais não apenas estão atentas, mas dispostas a pressionar permanentemente para que se encerre o ciclo de violência contra a infância no Brasil. Sané defende a punição dos responsáveis por esse tipo de violência. Movido por este tipo de pressão, o Parlamento Europeu, por exemplo, pede que se condicione o relacionamento comercial e financeiro dos países da Europa ao esforço de resolução do problema. Os direitos da infância são um dos principais assuntos em Viena, motivo de exibições de filmes, palestras, além de fazer parte da agenda oficial e das Organizações Não-Governamentais (ONGs). A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou ontem que entre 150 milhões e 200 milhões de pessoas-- a grande maioria crianças-- estão ilegalmente empregadas em 50 países do mundo-- entre eles o Brasil. Um documento da Organização Internacional do Trabalho (OIT) estabelece como meta acabar com o trabalho infantil. Os dados da ONU revelam ainda que entre um e 1,4 bilhão de pessoas vivem em estado de pobreza absoluta e que 780 milhões de pessoas são subnutridas. A ONU recebeu, até o mês passado, 125 mil queixas de violação dos direitos humanos (43 mil registradas em todo o ano passado) (FSP).