O laudo de vistoria divulgado pela superintendência do IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) na Bahia, aprovando as atividades da Veracruz Celulose no sul do estado, não tem qualquer validade. A informação foi dada ontem pela direção geral do órgão, em Brasília (DF). O ministro do Meio Ambiente, Coutinho Jorge, afirmou que as atividades da empresa, do grupo Odebrecht, continuam embargadas, e que a vistoria oficial do IBAMA-- da qual o ministro participará pessoalmente-- só começará no próximo dia 16. O plantio de eucaliptos para a produção de celulose, realizado pela Veracruz nas proximidades de Porto Seguro e Eunápolis, está embargado desde o dia 12 de maio. A decisão foi tomada após denúncia da Greenpeace e da SOS Mata Atlântica, que gravaram um vídeo mostrando a destruição de Mata Atlântica através de queimadas e de correntão. Segundo o coordenador de florestas da Greenpeace, José Augusto Pádua, a superintendência do IBAMA na Bahia e o Centro de Recursos Ambientais (CRA, órgão estadual) realizaram uma vistoria autoritária e às escondidas. "O IBAMA local descumpriu a orientação do ministro de que se trabalhasse com transparência", disse Pádua, acrescentando que o laudo de vistoria sequer foi submetido à direção do órgão em Brasília antes de ser divulgado (JB).