O ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, obteve ontem dos bancos a renovação do acordo informal para reduzir os juros e alongar o prazo da dívida interna do governo federal. O acerto foi feito em almoço com a CNIF (Confederação Nacional das Instituições Financeiras), que reúne os principais líderes empresariais do setor, em Brasília (DF). "O governo pode alongar essa dívida o quanto desejar", disse Alcides Tápias, presidente da FEBRABAN (Federação Brasileira das Associações de Bancos). Segundo os banqueiros, o ministro não acenou com medidas de alongamento compulsório da dívida interna, ou lançamento de novas modalidades de títulos. Cardoso declarou que "a dívida será alongada de maneira espontânea, na medida em que o governo está adotando as medidas pertinentes para que o setor público fique em ordem". Os bancos detêm hoje US$36 bilhões em papéis do governo. Essa dívida é resultado da colocação de títulos federais no mercado para a retirada do dinheiro em circulação (política monetária) e para financiar o Tesouro Nacional. Como o governo não dispõe de recursos para resgatar os papéis, os bancos pedem taxas altas de juros para rolar a dívida. No entanto, as instituições financeiras também dependem dos títulos federais para remunerar as aplicações de seus clientes (FSP).