O ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, concordou ontem com a idéia de sentar-se com representantes de empresários e trabalhadores na busca de um entendimento para reduzir a inflação. A idéia partiu do deputado federal Paulo Paim (PT-RS), presidente da Comissão de Trabalho da Câmara, e ontem mesmo ficou definido o dia 18 deste mês para o encontro. O objetivo da reunião é discutir como poderemos juntos lutar contra a
74311 inflação; o salário é parte disso, mas não vamos só discutir
74311 salário, disse o ministro, que rechaça o uso da palavra ""pacto"" para definir a iniciativa: "Não discuti pacto com ninguém, se der pacto, deu", afirmou. "Não estamos falando em pacto nem em prefixação, mas de entendimento em cima de alguns pontos que derrubem a inflação", comentou o deputado, admitindo aceitar até mesmo uma nova proposta para o reajuste salarial, com base em um redutor mensal. Isso seria possível, acha, dependendo das negociações. No meio empresarial, há disposição para discutir meios de conter a inflação, mas "a viabilidade de um pacto depende de fatores, como ajuste no setor público e privatização", segundo considerou o presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Carlos Eduardo Moreira Ferreira. O presidente da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros, acha, porém, que o ministro da Fazenda "não tem tempo" para tentar um pacto social. Segundo ele, o ministro teria o apoio da sociedade a um plano de combate imediato à inflação. "Tem de ser um plano duro. Não dá para ficar no arroz-com- feijão, no nada", afirmou (GM) (FSP).