O ministro da Educação, Murílio Hingel, apresentou ontem ao Banco Mundial (BIRD), em Paris (França), uma proposta com a qual pretende resolver parte dos problemas da dívida externa e do analfabetismo no país. Baseado na sugestão aprovada na Rio-92, que permitiria transformar a dívida externa dos países em investimentos na área do meio ambiente, Hingel pretende que os países incluídos entre os grandes devedores, como é o caso do Brasil, possam negociar a conversão de sua dívida externa a favor da Educação. A diferença entre o valor nominal e o valor real dos títulos da dívida seria aplicada na Educação. Esta proposta, apresentada durante o encontro que reuniu os nove países que concentram sozinhos 70% do analfabetismo do mundo, foi bem aceita pelos organizadores, entre eles o BIRD. "Os países ricos andam com medo da imigração dos pobres, e como a educação é a base do desenvolvimento, só podemos esperar solidariedade internacional para resolver os desequilíbrios do mundo", disse o ministro. Segundo Hingel, onde não há educação, não há saúde, alimentação, produtividade,
74284 indústria, crescimento e fica diminuída a capacidade de saldar a
74284 dívida. O Brasil já perdeu a possibilidade de resolver seu problema de educação até o ano 2000. "Deveríamos ter apresentado um plano de educação em 1990, mas ele só foi feito agora para esta reunião de Paris e os resultados vão aparecer dentro de 10 anos", disse o ministro. Hingel quer voltar a aplicar em Educação entre 4,7% e 5% do PIB, como acontecia antes desta última década, e ante os 3,8% aplicados atualmente. O plano apresentado pelo ministro inclui a construção de CIACs e o decréscimo do analfabetismo nas áreas urbanas, embora ainda não nas rurais (JB).