EUA QUEREM MUDAR ACORDO DA BIODIVERSIDADE

A extrema concentração dos recursos genéticos nos países pobres tropicais (o Brasil, por exemplo, tem 60% das 250 mil espécies de plantas superiores do planeta) é, segundo os especialistas, o principal motivo de os EUA-- um país com baixo índice de diversidade biológica-- terem assinado no último dia quatro a Convenção de Biodiversidade com algumas ressalvas. Apesar de aderirem ao acordo, os EUA querem modificar a convenção e garantir o respeito às patentes de produtos genéticos, mesmo que tenham sido fruto da coleta de seres vivos em nações do Terceiro Mundo. Assim, estarão viabilizando a saúde financeira e o monopólio tecnológico da efervescente indústria norte-americana de biotecnologia. Para se ter uma idéia, uma firma norte-americana foi a primeira no mundo a patentear uma planta, a quebra-pedra, encontrada em várias nações tropicais, entre elas o Brasil. Nas satisfeita em obter a patente do princípio ativo (composto químico com propriedade medicinais), a empresa se fez proprietária de toda a planta: da raiz às folhas. Para garantir então a proteção da propriedade intelectual das suas invenções genéticas, o governo norte-americano vai divulgar uma declaração interpretativa ao acordo, quando for submeter a convenção à aprovação do Congresso. A convenção, entretanto, estabelece que os países em desenvolvimento terão acesso à tecnologia desenvolvida pelos países do Primeiro Mundo a partir do processamento de recursos naturais tropicais. E mais: os países ricos vão ter que pagar para explorar esses recursos genéticos (O Globo).